terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Você vive ou obedece?

Av. Eudes Scherer de Souza, Valparaíso, Serra-ES.
Já apagaram a frase, mas de perto ainda é possível enxergá-la.

"Polícia para quem precisa de polícia": violência policial nas periferias



Os protestos de moradores dos bairros populares por causa de mortes causados por ações policiais tem se tornado cada vez mais comum no Espírito Santo e no Brasil, como um todo. A polícia normalmente alega que tais mortes são ocasionadas pela troca de tiros com “bandidos”. Por outro lado, a população alega que os Agentes da Segurança Pública agem de forma truculenta e irresponsável nesses bairros. 

Caso do jovem Hearles, morto pela PM, em Jardim Carapina (Serra) no final do ano passado.  
Versão da polícia: “Os militares teriam solicitado para que os amigos parassem, ordem que não foi obedecida pelos dois jovens. A PM afirmou que Hearlei e o amigo sacaram armas e atiraram contra os policiais, que revidaram os tiros.”

Versão da população: “Ele se assustou quando viu a viatura e os militares atiraram. Ele caiu da bicicleta, e ainda no chão, os PMs atiraram. Só pararam porque o pessoal que estava no culto da igreja saiu e viu a cena”, disse um primo de Hearles, que não quer ser identificado.

Esses fatos recentes de violência policial não é novidade alguma. Historicamente os bairros periféricos são tratados como “caso de polícia” em vez de serem alvos de políticas públicas nas áreas de saúde, educação e emprego. No entanto, esses protestos revelam que a população tem tomado consciência de seus direitos e lutando por eles. A instituição PM requer uma reforma urgente. 

Matéria sobre o caso de Jardim Carapina: http://migre.me/hWW61
Outros casos pelo Brasil e ES:
http://migre.me/hWWtE
http://migre.me/hWWqF
http://migre.me/hWWmV

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Carta Aberta à Sociedade: Dia Internacional do Ambulante - 14 de novembro

Trabalhadores(as) ambulantes também possuem direito ao trabalho na cidade!!
Nós trabalhadores(as) ambulantes existentes nos centros urbanos de centenas de cidades brasileiras, conscientes da dignidade de nosso trabalho e de sua importância para o sustento de nossas famílias, apresentamos a presente CARTA ABERTA à toda a sociedade para comemorar, neste dia 14 de novembro de 2013, o dia internacional do trabalhador ambulante. Escrevemos também para denunciar as violações que vêm ocorrendo em diversas cidades em nome da Copa do mundo de 2014.
Sabemos que nossa atividade é importante para a economia, especialmente para proporcionar o acesso aos diversos bens e produtos produzidos na sociedade como, por exemplo, chapéus, roupas, sapatos, eletrônicos, utensílios domésticos, material de informática, bijuterias, alimentação, bebidas, doces, salgados, acessórios masculinos e femininos, bilhetes de ônibus, entre outros milhares de produtos consumidos diariamente pela população brasileira de todas as faixas econômicas, raça, credo e origem. Quem nunca comprou algum produto com um ambulante que atire a primeira pedra!!
Nossa escolha pelo trabalho ambulante representa, muitas vezes, uma oportunidade aberta para a manutenção de nossos lares, para o pagamento da alimentação de nossa família, dos serviços de água, luz e telefone que abastecem nossas casas, do custeio da educação de nossos filhos, do pagamento do aluguel ou da prestação de nossas casas, entre tantos outros direitos que efetivamos com o suor de nosso trabalho nas ruas. Se o trabalho deve dar dignidade ao ser humano, por que não podemos garanti-lo no comércio de rua?
Também estamos nas ruas, pois nela não há os portões das fábricas ou as cercas das fazendas para privatizar os meios de subsistência barrando nossa passagem em busca de sobrevivência nos centros urbanos ou quando lutamos para garantir o futuro de nossas famílias. O comércio realizado nas ruas é uma atividade histórica. Acreditamos que o espaço público é um espaço eminentemente de trocas: trocas de mercadorias, trocas de informação, trocas de conhecimento, trocas de experiências de vida, trocas pessoais e coletivas, trocas de valores, entre outras.
Queremos transformar este dia nosso em um dia marcado pela busca de conquistas e contra a opressão provocada pelos grandes grupos econômicos e pelos governantes. Ainda estamos sedentos de direitos e de regulamentação que reafirme o papel social do trabalhador ambulante ao invés de criminalizá-lo e reprimi-lo. Em uma sociedade absurdamente desigual e sem emprego para todos, reprimir trabalhadores ambulantes é tão contraditório quanto manter as grandes fortunas imunes de tributação.
Estamos enfrentando dificuldades para garantir o direito ao trabalho principalmente nas cidades que sediarão a Copa do mundo da FIFA de 2014. Muitas das capitais que receberão os jogos vêm realizando um processo de “higienização” urbana, que tira das áreas de interesse turístico e econômico das cidades tudo o que lembre a pobreza. Milhares de ambulantes vêm sendo removidos das ruas como obstáculos para a paisagem, sem ter nenhuma garantia assegurada e nem mesmo espaço de negociação com o poder público. Somos trabalhadores(as) dignos(as), temos nosso meio de sobrevivência arrancados de nós e ainda somos tratados como criminosos.
Além disso, existe o anúncio de que durante a Copa ninguém trabalhará nas áreas reservadas para a FIFA. Seria justo que o poder público se responsabilizasse em garantir o sustento das famílias afetadas por essa restrição, abrindo outras frentes de trabalho, como áreas com telões, evitando assim que trabalhadores ambulantes, impedidos de trabalhar, sejam colocados em situação de alto risco social, e também para que a festa seja verdadeiramente para todos. O que não admitimos é sermos excluídos e ainda ignorados, veementemente desrespeitados enquanto cidadãos trabalhadores que somos.
Também reafirmamos o que vem sido reivindicado nos espaços políticos de Direitos Humanos:
- Nosso repúdio às políticas de gestão das cidades baseadas no modelo de cidade-empresa, caracterizada pela apropriação dos recursos públicos por poucos grupos privados, pela criminalização da pobreza, por processos de remoção, e pela redução da cidade a sua faceta de exportação.
- Que os governos federal, estadual e municipal promovam a integração progressiva do comércio informal que realizam as pessoas com pouca renda ou desempregadas, evitando a eliminação e disposição de espaços para o exercício de políticas adequadas para sua incorporação na economia urbana.
- Que as políticas de gestão urbanística e social das cidades necessariamente atendam, prioritariamente, às demandas sociais locais, e não a projetos estruturantes de megaeventos e grandes empreendimentos.
- Que sejam adotadas medidas que garantam que as pessoas que trabalham como vendedores ambulantes não sejam submetidas a hostilidades, incluindo penalizações por razões relativas à organização de megaeventos esportivos e megaempreendimentos.
Somos trabalhadores no comércio ambulante e também temos direito à cidade!
Estamos nos organizando e lutaremos até o fim pelo direito ao trabalho!
Viva o(a) ambulante, o(a) camelô, o(a) barraqueira(a), o(a) feirante e todos(as) os(as) vendedores(as) de rua!
Viva o dia 14 de novembro!
Comissão Nacional de Vendedores(as) Ambulantes
ABAEM – BELO HORIZONTE
Associação dos Barraqueiros da Área Externa
do Mineirão
AEFO – RIO DE JANEIRO
Associação de Expositores das Feirartes e Outros
APROVACE – FORTALEZA
Associação Profissional do Comércio de Vendedores Ambulantes do Estado do Ceará
ASFERAP – PORTO ALEGRE
Associação Feira Rua da Praia
ASFAERP – SALVADOR
Associação dos Feirantes e Ambulantes da região metropolitana de Salvador
ASSOCIAÇÃOAMBULANTES DO GASÔMETRO – PORTO ALEGRE
FÓRUM DOS AMBULANTES DE SÃO PAULO
SINCOVAM-MANAUS
Sindicato do Comércio de Vendedores Ambulantes de Manaus
MUCA – RIO DE JANEIRO
Movimento Unido dos Camelôs
SINDFEIRAS – MANAUS
Sindicato do Comércio Varejista dos Feirantes de Manaus
CENTRO GASPAR GARCIA DE DIREITOS
HUMANOS
STREETNET INTERNATIONAL
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sábado, 16 de novembro de 2013

Rodovia do Contorno ou da Morte?

Na última quinta-feira, véspera de feriado do dia da República, houve mais um protesto na Rodovia do Contorno, na altura do bairro André Carloni, Serra-ES. A manifestação teve como objetivo chamar a atenção para necessidade de construção de uma passarela na região para evitar os constantes acidentes com pedestres. Essa reivindicação é antiga não só para os bairros que margeiam essa rodovia na Serra como também em Cariacica. Diversas pessoas já perderam suas vidas tentando atravessar essa via, inclusive crianças. 
Quando se fala nesta Rodovia, a tônica principal é sua importância enquanto eixo rodoviário que concentra importante fluxo de caminhões e a necessidade de concluir a duplicação. Valoriza-se, sobretudo, o seu papel logístico para a economia capixaba. 
Essa rodovia também foi eixo para expansão da periferia da Grande Vitória. Diversos bairros populares foram sendo criados e expandidos em suas margens, na Serra e em Cariacica. Bairros como Jardim Carapina (Serra) e Flexal (Cariacica). A população de tais bairros sofrem há anos a falta de segurança dessa Rodovia, pagando com as vidas de jovens, adultos e idosos. 
A pressão popular por segurança é legítima e necessária! 

14/11/2013 - 17h32 - Atualizado em 14/11/2013 - 18h28

Trânsito na BR 101 fica completamente bloqueado por conta de protesto na Serra

Moradores queimam pneus e exigem a construção de uma passarela na rodoviaShare on email



O trânsito nos dois sentidos da BR 101, na Serra, que estava bloqueado por protesto de moradores, foi liberado, segundo informação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), por volta das 18h20 desta quinta-feira (14). Mas o trânsito ainda está congestionando na Rodovia do Contorno e outras vias importantes da região. 

Os moradores fecharam o km 269, na altura do bairro André Carloni, para reivindicar a construção de uma passarela na região. Os moradores queimaram pneus e outros objetos. 
Leia matéria na integra: http://migre.me/gEwdB
Postado por Thalismar 





sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Dados da exclusão dos pobres nas cidades capixabas

As informações do IBGE revelam que o direito à educação básica tem chegado nas áreas mais pobres das grandes cidades do Espírito Santo. Evidentemente, as informações se referem ao aspecto quantitativo de acesso à escola. Ainda há muito a se avançar na qualidade do ensino básico público. Em função de tal aspecto e outros de ordem social, as pesquisas mostram também que uma pequena minoria dos moradores dos bairros populares, que o IBGE conceitua como áreas subnormais, conseguem chegar ao ensino superior, menos de 2% dos habitantes.
A matéria do Gazetaonline trás ainda outros aspectos da exclusão como o elevado tempo gasto para se chegar ao trabalho e o nível de formalização dos empregos nessas áreas das cidades capixabas.
Portanto, os dados mostram que a exclusão social tem claramente um componente espacial. Por isso, quando se fala em acesso à direitos básicos é preciso analisar onde e como as políticas públicas tem se realizado. A grande mídia e a Prefeitura de Vitória divulgam o tempo todo o fato da Cidade ser a quarta em IDH do país. Mas, será que os moradores dos morros de Vitória se sentem orgulhosos? Como o Estado chega a essas comunidades? Apesar dos avanços, há ainda muito a se fazer para tornar as cidades menos desiguais.

06/11/2013 - 17h23 - Atualizado em 06/11/2013 - 23h49                      

Moradores de áreas pobres no Estado têm acesso a creches e escolas, mas poucos chegam ao ensino superior

Mais de 90% estão na escola, mas 2%, em média, fazem faculdade 

                     
                                         
Creches e escolas públicas são as principais instituições nas quais mais de 90% da população que vive em áreas desfavorecidas no Espírito Santo têm acesso, de acordo dados do estudo Aglomerados Subnormais do Censo Demográfico de 2010, do IBGE. Entretanto, a proporção de pessoas com curso superior completo, nas mesmas regiões, é de menos de 2%, em média.
Leia a matéria na íntegra: http://migre.me/gABwQ
Postado por Thalismar